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Abayomi de casa nova!

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Foto da intervenção “Corpo em Trânsito” – veja mais em www.abayomi.art.br

Turnê sul-americana de oficinas com Fanta Konatê e Djara Condê

Florianópolis teve a oportunidade de prestigiar um pouco da dança e da música que fazem parte da cultura do oeste africano. Os guineanos Fanta Konatê e Djara Condê ministraram oficinas de dança e de música entre os dias 24 e 26 de setembro para mais de 70 alunos, que puderam aprender coreografias e ritmos tradicionais durante os 3 dias do curso que ocorreu no Colégio de Aplicação da UFSC.

Mais de 70 participantes nas oficinas na UFSC

Fanta já esteve aqui na ilha realizando oficinas em outras ocasiões e quem participou de alguma, sabe quão proveitoso podem ser estes encontros. Desta vez, o grupo Abayomi inseriu Florianópolis na rota da turnê sul-americana que Fanta estava realizando junto com Djara Condê, passando por cidades do Chile, Argentina e Brasil. Djara Condê foi o professor das oficinas de percussão e ensinou aos percussionistas ansiosos, ritmos da família Dununbá como Dunungbé e Tako Saba, típicos da região de Hamaná, no interior da Guiné Conakry.

Para encerrar os 3 dias de aprendizado intenso, ocorreu uma festa em grande estilo no bar Duun, com a participação do grupo parceiro Soonanda e do próprio Abayomi com a maravilhosa participação da Fanta dançando, cantando e contagiando a todos os presentes e Djara  que impressionou com sua habilidade e energia. Foi com certeza um evento único, de muita alegria, confraternização e trocas culturais.

Fanta e Djara participaram da festa de encerramento das oficinas e fizeram uma linda apresentação com o Abayomi


O bar estava cheio na festa de encerramento das oficinas, ao som dos ritmos animados e danças vigorosas

Cartaz de divulgação da viagem cultural à Guiné, através do instituto África Viva.

Fanta divulgou em sua oficina o instituto África Viva que ela fundou junto com o percussionista e musicoterapeuta Luis Kinugawa (que aliás esteve por aqui há pouco tempo), e a viagem cultural realizada no mês de janeiro para a Guiné Conakry que é uma possibilidade maravilhosa para se aprender a cultura dos djembês, dununs e das danças típícas da região, com os grandes mestres das famílias Konatê e Keita. Em janeiro de 2012 tivemos integrantes do Abayomi que realizaram a viagem e o curso, e contam um pouco de como foi neste post.

Estas oficinas/encontros de formação cultural tem sido muito importantes e proveitosos para todos os envolvidos com este tipo de trabalho artístico. Cada vivência dessas traz novas perspectivas e fundamentos para quem vem estudando e realizando releituras da dança e da percussão do oeste africano.

Retomando as aulas!

O primeiro semestre de 2012 foi marcado por momentos únicos para todos nós.

IV Mostra de dança africana e afro-brasileira de Itajaí – foto de Aitor Fernández

Tivemos a apresentação na IV Mostra de dança africana e afro-brasileira de Itajaí. Realizamos nossa intervenção no hall de entrada do Teatro Muncipal, sentindo de perto a acolhida calorosa por parte dos expectaores.

IV Mostra de dança africana e afro-brasileira de Itajaí – foto de Aitor Fernández

Tivemos também a oportunidade de conhecer a dançarina, percussionista e coreógrafa a Mariama Camara Para nós foi uma honra dividirmos o palco com essa grande artista guineana, além de participarmos da oficina de dança africana que ela ministrou no evento. Que os ventos nos aproximem novamente, quem sabe dessa vez na nossa ilha.

Vídeo do Abayomi em Itajaí com Mariama Camara

Recentemente apresentamos no Projeto TAC 7:30, que encantou a todos pela sua beleza cênica e harmonia do grupo. O nosso amigo Felipe Obrer captou bem o espírito do evento no seu post no blog Overmundo. Em breve lançaremos um vídeo-teaser com algumas imagens da apresentação.

Abayomi no TAC 7:30 – foto Felipe Obrer

A nossa equipe de produção caprichou, algumas de suas peripécias e aventuras podem ser vistas no teaser lançado na pré estréia.

Depois de um breve mas merecido descanso, Abayomi volta com tudo no segundo semestre de 2012. As aulas no Centro de Convivêcia da UFSC reiniciaram com turma cheia.

Tivemos também a satisfação de sermos contemplados com o Fundo Municipal de Cultura, com o projeto “Corpo em Trânsito: dança afro-contemporanea em intervenções urbanas”, onde teremos a oportunidade de mostrar nossa cara na rua para um público maior. Em breve mais informações sobre o projeto aqui no nosso blog.

Oficina de Fanta Konatê e Djara Condê em Florianópolis!!

Florianópolis está na rota da turnê sul americana da dançarina e cantora Fanta Konate.

Depois de passar pelo Chile e Argentina, Fanta chega na ilha para oficina de dança nos dias 24, 25 e 26 de agosto. Fanta é filha do mestre Djembefolá Famoudou Konate cuja familia é representante da arte mandinka tradicional da região de Hamana, no norte da Guiné.

A oficina de percussão será ministrada por Diarra Condê que é músico e dançarino, também discípulo de Famoudou Konate. A oficina irá abranger ritmos da família Dunumba, ritmos Bolokonondo, Takosaba, entre outros.

As oficinas serão na Universidade Federal de Santa Catarina, no Colégio de Aplicação:
Dança
sexta-feira 24.08 – 19:30h às 21:30h
sábado 25.08 – 17:00h às 19:00h
domingo 26.08 – 17:00h às 19:00h
Percussão
sexta-feira 24.08 – 18:30h às 20:30h
sábado 25.08 – 15:00h às 17:00h
domingo 26.08 – 15:00h às 17:00hAs inscrições podem ser feitas pelo preenchimento da ficha online:
https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?formkey=dDFWeTRNUTVuQlQ0LV9CenJFQ0hJN0E6MQ

A inscrição se completa com o envio do comprovante de pagamento para o email indicado na ficha.

Valores:
Oficina de dança, 3 dias: 75,00
Oficina de percussão, 3 dias: 75,00
Oficina de dança + percussão: 135,00
Apenas dois dias de oficina: 50,00

O djembê – um pouco de história

fabricação de um djembê

Construção de djembê – fotos de acervo pessoal

O Djembe está associado ao império Mali, que surgiu no ano de 1230, e que incluía partes do que hoje é a Guiné, Mali, Burkina Faso, Costa do Marfim e Senegal. Alguns pesquisadores acreditam que a origem do tambor possa ser mais antiga. O seu formato sugere que ele possa ter sido criado a partir do pilão, cuja percussão no preparo de alimentos ainda hoje é um dos primeiros sons ouvidos pela manhã nas aldeias do oeste africano.

Na Guiné, um grupo musical típico usa três djembês e três dununs. Os djembês com afinação mais aguda são para os solistas e os outros instrumentos tocam acompanhamentos.

Um grupo de djembê e dunun tradicional não toca musica para as pessoas ficarem sentadas ouvindo. O ritmo é criado para dançar, cantar, bater palmas ou para trabalhar. A distinção ocidental entre músicos e plateia é inapropriada dentro de um contexto tradicional. Um ritmo raramente é tocado como uma performance, mas sim como uma interação entre músicos, dançarinos, cantores e observadores, formando um só grupo, onde os papéis geralmente se modificam na medida que a música progride.

Vídeo “Foli” de Thomas Roebers  – belo registro da cultura tradicional da Guiné

Os músicos e participantes formam um círculo, onde o centro é reservado para os dançarinos. O djembê solo toca frases que acentuam os movimentos da dança, buscando marcar com o ritmo a “pisada” do dançarino. Existem as danças tradicionais, mas os solos de dança geralmente não são coreografados e tanto o dançarino como o músico se movem de acordo com o que vai sendo criado na hora. Isso requer do djembefola (aquele que toca djembê) um grande conhecimento da dança e bastante experiência para adquirir o repertório rítmico necessário.

O solo também pode acontecer quando ninguém está dançando. Apesar da grande liberdade para improvisação, as frases do solo não são aleatórias. Os ritmos tem frases específicas que o solista deve conhecer e integrar na sua improvisação. Um solista habilidoso também procura harmonizar seu solo com o ritmo criado pelos outros instrumentos.

Antes dos anos 50, o djembê era praticamente desconhecido fora de sua terra natal. Ele começou a ser ouvido fora da áfrica com “Les Ballets Africains”, criado em 1952 por Fodéba Keita. O ballet fez sucesso pela Europa. Em 1958 foi proclarado “Ballet Nacional” pelo primeiro presidente da Guné independente, Sékou Touré, seguido pelo Ballet Djoliba em 1964.

Les Ballets Africains – foto do site

A política de Touré utilizou-se da cultura tradicional como meio de promoção do país e do governo, e os balés eram vistos como uma forma de integrar costumes e ritos dos diferentes grupos étnicos presentes na Guiné. Os balés foram generosamente suportados por Touré, que construiu um espaço para ensaio do Ballet Djoliba em seu palácio e financiou turnês mundiais que despertaram a atenção da audiência ocidental para o djembê.

Com sua morte em 1984 os recursos para os balés se reduziram e muitos djembefolas firmaram seu trabalho em outros países, incluindo Mamady Keita (Bélgica e Estados Unidos) e Famodou Konatê (Alemanha). Outros, como Bambara Bangoura, seguiram seu exemplo e criaram um mercado de trabalho para artistas e professores em vários países da Europa e América do Norte. Com esse trabalho, a popularidade do djembê cresceu cada vez mais. Em 1991,  Laurent Chevallier realizou o documentário “Djembefola”, sobre o retorno de Mamady Keita a sua aldeia após 26 anos de ausência, ganhando váriós premios internacionais e mostrando o djembê para um grande público.

A partir da década de 80, alguns djembefolas começaram a organizar viagens de estudo para a Guiné, permitindo a muitos estrangeiros o contato direto com a cultura tradicional e moderna do djembê. O turismo do djembê criou um mercado para artistas que antes não existia e um amplo comércio de instrumentos, tecidos e artesanatos. Jovens djembefolas tentam seguir os passos de seus famosos predecessores e procuram atender as demandas de turistas dos cinco continentes. Hoje vemos grupos de alunos estrangeiros apresentando-se lado a lado com grupos locais em festivais na Guiné.

(Fonte: wikipedia (!))

Ressonâncias da África – o Abayomi aprofunda a pesquisa em ritmos da Guiné.

Este ano tivemos a oportunidade de ver na fonte uma das culturas que é uma referência muito importante para nossa pesquisa. Pudemos visitar a Guiné para um curso de dança e percussão organizado por Fanta Konaté e a rede Africa Viva. Passamos três semanas na capital e vimos o Ballet Djoliba e vários festivais com percussionistas da Guiné e grupos de alunos de djembê pelo mundo. Também ficamos uma semana na aldeia Sangbarala, onde nasceu o mestre Famodou Konate e onde pudemos ver os tambores tradicionais nas danças Dununba e em outros ritmos populares como Fefó, Dja, Soli, Soko, Afo.

Aula de percussão em Sangbaralla, Guiné - janeiro de 2012

Voltamos de lá revigorados, com conhecimentos e tambores novos. Uma das preciosidades que trouxemos e estamos desenvolvendo em aula é o ritmo Mendiani, tocado nas danças tradicionalmente dedicadas às meninas.

A viagem nos ajudou a aprofundar a compreensão das diferenças em que a arte tradicional acontece no seu contexto de origem e o “trânsito”, a transformação que acontece quando essa expressão cultural atravessa o oceano. Daí o título-tema da nossa apresentação: “Ressonâncias da África”. Como uma onda, a dança e o tambor chegam até aqui e reverberam por algum tipo de simpatia , algum tipo de afinidade com corações e mentes. E acaba ganhando um sotaque brasileiro ao longo desses mais de dez anos de namoro com a ilha.

Na última quarta-feira, 25/04, o Abayomi participou da Semana da Dança na UFSC, evento promovido pela SECARTE. O grupo se apresentou no hall do Centro de Cultura e Eventos com o desdobramento do trabalho “Ressonancias da África” que teve início em 2010.

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Mulheres na percussão!

É isso aí mesmo! Agora chegou a vez das mulheres comandarem a percussão!

Esse é mais um desdobramento das oficinas do Abayomi, um grupo de estudos de percussão de matrizes africanas formado apenas de mulheres. A ideia é enriquecer o conhecimento dos ritmos que dançamos, criar mais intimidade e afinidade com os dununs e djembés e se juntar pra tocar e se divertir.

No último dia 19 de abril nos juntamos na casa da Floresta pra passar os ritmos Soko e Diansa. Começamos com um alongamento do corpo e depois das mão e braços e em seguida partimos pra construção das frases rítmicas com as palmas e pisadas. Ficamos um bom tempo assim, partindo também pro método de vocalizar cada instrumento separadamente e de todos os fragmentos, construirmos o ritmo unificado.

Depois fomos pros tambores! Fizemos as três frases dos dununs, duas bases do djembé e convenções. O kenken gerou dificuldade pra algumas mas coneguimos pegar tudo até o final.  E a Maria foi  a nossa maestra que segurou a onda com as aprendizes até o final :)

Fica aqui, a fim de registro, essa nossa experiência juntas. A ideia é manter os encontros uma vez por semana e convidar quem mais tiver interesse de participar também.

Um abraço povo e até a próxima!

por Bettina d’Ávila

Intervenção na Praça XV

No último dia 31 de março, Abayomi foi às ruas do centro a fim de propor uma tarde de sábado de intervenção e integração. Alguns do grupo e amigos nos encontramos na catedral e resolvemos “montar” os tambores na parte de baixo da praça XV, no centro de Florianópolis.

Há muito tempo que queríamos fazer isso. Nos proporcionar esse prazer de curtir uma tarde com amigos e música em um ambiente aberto da cidade ao mesmo tempo em que esperávamos promover a mesma integração e conexão com os passantes e curiosos. Essa troca foi muito gostosa, ver as pessoas sorrirem e balançarem o corpo ao som de uma música totalmente inesperada naquele ambiente.

Logo ao lado da feirinha da Alfândega, muitas pessoas passavam por aquela área entre a rua Conselheiro Mafra e o terminal antigo de ônibus.  Com pressa ou apenas curtindo um caldo de cana sob as sombras das árvores, muitas pessoas que passavam pelo local se permitiram parar e desfrutar daquele momento oportuno e inesperado.

A vontade agora é de continuar fazendo isso mais e mais vezes. Demorou pra que o Abayomi fizesse isso, ir às ruas mostrar um pouco da energia e dos desobramentos das oficinas de dança a percussão. Botar a cara na rua, seja pra 2, seja pra mil pessoas. As práticas todas fazem sentido no momento em que há a troca, a transposição, a simbiose, a intervenção.

Créditos das fotos e filmagem: Maximiliano Bonacquisti

Até a próxima… e nos esbarramos por aí!

por Bettina d’Ávila